quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Zé Dirceu Facts

• "Democracia" é a marca do papel higiênico que Zé Dirceu compra para o estoque dos comitês e sedes do PT.

• O quentão da festa junina do PT foi criado no dia que Lula esqueceu seu copo de pinga perto das costas de Zé Dirceu.

• Quando o abismo de Nietzsche olhou dentro de si mesmo, ele viu... Zé Dirceu

• Fidel costuma acender seu charuto apenas encostando ele nas costas de Zé Dirceu...

• Genoíno pergunta pra Zé Dirceu no fim do ano letivo, se deu pra passar. Dirceu responde que deu sim... um em cada joelho.

• O espermatozóide que viria a ser Zé Dirceu foi investigado em uma CPI pelo sumiço de 5 milhões de colegas seus.

• Quando vai ao inferno visitar os "companheiro", Zé Dirceu joga bocha com Stalin... usando crânios como bolas.

• Para Zé Dirceu, "liberdade de imprensa" é dar uma dura nos adversários, sempre que lhe der na telha.

• Zé Dirceu não é à prova de balas, mas por alguma razão misteriosa, elas têm medo de encostar nele.

• No jardim de infância, Zé Dirceu articulou nos bastidores pra impedir o jornalzinho da escola de circular.

• Quando Zé Dirceu chuta uma macumba em encruzilhada, o feitiço ainda volta pro pai-de-santo.

• Zé Dirceu teve uma discussão de bar com Chuck Norris sobre política. E sobreviveu.

• Zé Dirceu quando come acarajé, coloca lava de vulcão ao invés de pimenta.

• Quando se trata de Zé Dirceu, "fuzilar com os olhos" NÃO é uma mera figura de linguagem.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Comentando Textos Mulherzinha - Capítulo I

Já não é de hoje que eu tenho o costume de pegar aqueles textinhos anônimos escrito por alguma "Martha Medeiros Wannabe" que rolam aí pela internet, e retorno pra minhas amigas só pra pentelhar mesmo... Eis que dia desses recebi um e respondi, mas acabou que me lembrei de compilar pra colocar aqui... Segue a pataquada feminina debilóide, e após, os pontos importantes devidamente comentados.


"CONVIDANDO UMA MULHER PARA JANTAR:
Quando um homem chama uma mulher para sair, não sabe o grau de estresse que isso desencadeia em nossas vidas. O que venho contar aqui hoje é mais dedicado aos homens do que às mulheres. Acho importante que eles saibam o que se passa nos bastidores. Você, mulher, está flertando um Zé Ruela qualquer. Com sorte, ele acaba te chamando para sair. Vamos supor, um jantar.
Ele diz, como se fosse a coisa mais simples do mundo 'Vamos jantar amanhã?'. Você sorri e responde, como se fosse a coisa mais simples do mundo: 'Claro, vamos sim'.
Começou o inferno na Terra. Foi dada a largada. Você começa a se reprogramar mentalmente e pensar em tudo que tem que fazer para estar apresentável até lá. Cancela todos os seus compromissos canceláveis e começa a odisséia. Evidentemente, você também para de comer, afinal, quer estar em forma no dia do jantar e mulher sempre se acha gorda. Daqui pra frente, você começa a fazer a dieta do queijo: fica sem comer nada o dia inteiro e quando sente que vai desmaiar come uma fatia de queijo. Muito saudável.
Primeira coisa: fazer mãos e pés. Quem se importa se é inverno e você provavelmente vai usar uma bota de cano alto? Mãos e pés tem que estar feitos - e lá se vai uma hora do seu dia. Vocês (homens) devem estar se perguntando 'Mão tudo bem, mas porque pé, se ela vai de botas?' Lei de Murphy. Sempre dá merda. Uma vez pensei assim e o infeliz me levou para um restaurante japonês daqueles em que tem que tirar o sapato para sentar naqueles tatames. Tomei no cu bonito! Tive que tirar o sapato com aquela sola do pé cracuda, esmalte semi-descascado e cutícula do tamanho de um champignon! Vai que ele te coloca em alguma outra situação impossível de prever que te obriga a tirar o sapato? Para nossa paz de espírito, melhor fazer mão é pé, até porque boa parte dessa raça tem uma tara bizarra por pé feminino. OBS: Isso me emputece. Passo horas na academia malhando minha bunda e o desgraçado vai reparar justamente onde? Na porra do pé! Isso é coisa de... Melhor mudar de assunto...
As mais caprichosas, além de fazer mão e pé, ainda fazem algum tratamento capilar no salão: hidratação, escova, corte, tintura, retoque de raiz, etc. Eu não faço, mas conheço quem faça.
Ah sim, já ia esquecendo. Tem a depilação. Essa os homens não podem nem contestar. Quem quer sair com uma mulher não depilada, mesmo que seja apenas para um inocente jantar? Lá vai você depilar perna, axila, virilha, sobrancelha etc, etc. Tem mulher que depila até o cu! Mulher sofre! E lá se vai mais uma hora do seu dia. E uma hora bem dolorida, diga-se de passagem.
Dia seguinte.
É hoje seu grande dia. Quando vou sair com alguém, faço questão da dar uma passada na academia no dia, para malhar desumanamente até quase cuspir o pulmão. Não, não é para emagrecer, é para deixar minha bunda e minhas pernas enormes e durinhas (elas ficam inchadas depois de malhar).
Geralmente, o Zé Ruela não comunica onde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber.
Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê). Mas, é como dizia Angie Dickinson: 'Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens'. Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem.
Escolhida a roupa, com a resignação que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel.
Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte... LEITOA! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. Muitas vezes você compra uma roupa para um evento, na loja fica linda e na hora de sair fica uma merda. Se for um desses dias em que seu corpo está uma merda e o espelho está de sacanagem com a sua cara, é provável que você acabe com um pilha de roupas recusadas em cima da cama, chorando, com um armário cheio de roupa gritando 'EU NÃO TENHO ROOOOOUUUUUPAAAA'. O chato é ter que refazer a maquiagem. E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiar ela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo. Se espirrar a calça perfura o pâncreas.
Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da lingerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita, ou é confortável.
Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa 'Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se foooda'. Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável, meu inconsciente já associou estar bem vestida a sofrimento. Aí você começa a pensar 'E se mesmo sem dar para ele, ele pode acabar vendo a minha calcinha... Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele... se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo...'. Muito p... da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porras mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir.
Os sapatos. Vale o mesmo que eu disse sobre roupas: ou é bonito, ou é confortável. Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por UMA PEÇA de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito mas confortável. FATO: Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Exemplo: Vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai soltar um 'Sei que você adora dançar, vamos sair para dançar! Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção. Uma vez, um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usar!. Porque eu não dei o sapato? Porra... me custou muito caro. Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista do caralho. Vou voltar como besouro de esterco na próxima encarnação e comer muito coco para ver se evoluo espiritualmente! Mas por hora, o sapato fica.
Depois que você está toda montadinha, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo 'será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar...' Começa a bater a ansiedade. Cada uma lida de um jeito.
Tenho um faniquito e começo a dizer que não quero ir. Não para ele, ligo para a infeliz da minha melhor amiga e digo que não quero mais ir, que sair para conhecer pessoas é muito estressante, que se um dia eu tiver um AVC é culpa dessa tensão toda que eu passei na vida toda em todos os primeiros encontros e que quero voltar tartaruga na próxima encarnação. Ela, coitada, escuta pacientemente e tenta me acalmar.
Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, o filho da p..... liga e cancela o encontro? 'Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem?'.
Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, a menos que seja algo muito grave! Eu fico p..., p..., PU...da vida!
Claro, na cabecinha deles não custa nada mesmo, eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o estresse, o tempo perdido... nunca ousariam remarcar nada.
Se fode aí! Vem me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! Até porque, a essas alturas, a dieta radical do queijo está quase te fazendo desmaiar de fome, é questão de vida ou morte a porra do jantar! NÃO CANCELEM ENCONTROS A MENOS QUE TENHA ACONTECIDO ALGO MUITO, MUITO, GRAVE! DO TIPO...MORRER A MÃE OU O PAI TER UM AVC NO TRÂNSITO.
Supondo que ele venha. Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata 'HUMMM... tá cheirosa!' (tecla sap: 'Passou muito perfume, porra'). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, porque acho que homem que repara muito é meio viado, mas isso frustra algumas mulheres. E se ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver. Pois é, Minha Amiga, você passou a noite toda com a rendinha atochada no rego (que por sinal custou muito caro) para nada. Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP4? Favor tirar sem rasgar.
Quando é comigo, passo tanto estresse que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. No meio da noite, já não sinto mais meus dedos dos pés, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri eu penso 'É, eu também estaria de bom humor, contando piada, se não fosse essa calcinha intra-uterina raspando no colo do meu útero'. A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim, de primeira.
Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do DINHEIRO. Pois é, tudo isso custa caro. Vou fazer uma estimativa POR BAIXO, muito por baixo, porque geralmente pagamos bem mais do que isso e fazemos mais tratamentos estéticos:

Roupa........ R$ 200,00

Lingerie......R$ 80,00

Maquiagem.....R$ 50,00

Sapato........R$ 150,00

Depilação.....R$ 50,00

Mão e pé......R$ 15,00

Perfume.......R$ 80,00

Pílula anticoncepcional.....R$ 20,00

Ou seja, JOGANDO O VALOR BEM PARA BAIXO, gastamos, no barato, R$ 500,00 para sair com um Zé Ruela. Entendem porque eu bato o pé e digo que homem TEM QUE PAGAR O MOTEL? A gente gasta muito mais para sair com eles do que ele com a gente!"

Um sincero comentário masculino a esse apanhado de balelas:

Roupa - R$ 200,00:
Vejam bem, moças... se o cara perder mais tempo reparando sua roupa do que simplesmente a sua beleza ou o seu charme, ou suas qualidades, ou o seu papo, ou o seu par de... bem, deu pra entender, né... enfim! Pode esquecer... É viado. Tenha a mais absoluta certeza que qualquer roupinha legal que você já tenha será bastante apreciada, ou na pior das hipóteses ignorada, a não ser que você vá sair com ele vestida de Vovó Mafalda. Via de regra, aos olhos do homem, mulher só erra na roupa quando está tão desesperada pra acertar que acaba fazendo merda. Sem contar que essas 200 pratas aí só serão gastas se a moça quiser satisfazer um faniquito consumista.

Lingerie - R$ 80,00
Tá bom, todo homem que se preza conhece o valor prático de uma bela lingerie, mas nenhum homem que se preza valoriza MAIS a lingerie que o seu recheio. Portanto, a não ser que você seja uma tia velha encalhada desde a década de 70, é bem provável que você tenha um conjunto de lingerie apresentável na sua gavetinha. Deixa de ser fresca que isso é desculpa pra ir pro shopping sua insegura!

Maquiagem - R$ 50,00
Vale a mesma regra da roupa. Por mais que os para-choques de caminhão digam que 80% da beleza feminina saia com água e sabão, nós os homens de verdade ainda preferimos não termos que dar parte de vocês no Procon por propaganda enganosa. Portanto, se quiser usar maquiagem, use, mas saiba usar. Pegue leve. Temos certeza que aquele estojo basicão que vc tem em casa dá conta do recado. Afinal de contas, se rolar uma química e a coisa esquentar, é chato pra caramba ficar cheio de pó de arroz na língua ou acordar na cama do motel com um clone do Alice Cooper do nosso lado.

Sapato - R$ 150,00
Fala sério! Como se você não tivesse sapatos suficientes pra calçar uma boa parte dos pobres de Bangladesh, ou da Somália! Mulher tem psicose de bolsa e sapato. Esse papinho de sapato não tem absolutamente nada a ver com a nossa saída! Confessa, sua maníaca!!! Confessa que além do sapato você vai aproveitar pra comprar uma bolsa também!!! Anda!

Depilação - R$ 50,00
A gente até que gosta de encontrar o campo com a grama baixa... A gente até dá o maior valor pra uma área de lazer bem livre de qualquer cabelo. Mas lembre-se que existem várias formas de fazer isso, até em casa mesmo. E a não ser que a situação esteja num nível que dê pra fazer tranças, até se vocês apararem bem rente apenas, já é algo que pra nós denota cuidado e asseio, mesmo que não esteja 100% carequinha.


Mão e pé - R$ 15,00
Aqui tudo bem. Adoramos mãos e pés bem feitos. De preferência unhas não muito compridas e em tons que não chamem muita atenção. Decoração na unha, esqueça. Decalque de florzinha é punível com pena de morte.

Perfume - R$ 80,00
Fala sério que você não tem perfume em casa. Conta outra, que eu sei que você tá é doida pra ir pro shopping.


Pílula anticoncepcional - R$ 20,00

Filhota, você vai comprar pílula só pro caso da gente transar? Tá querendo enganar quem? Faz o seguinte, se você já não usa algum método contraceptivo, economiza sua graninha e deixa que eu uso camisinha. Não vai ser só porque você diz que toma remédio, que eu vou deixar de proteger meu patrimônio, certo?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Nossa Senhora dos Cachorros

Hécate, por William BlakeAquarela1795Tate GalleryLondres.
Hoje me voltou à mente uma lembrança antiga. Fragmentos de um passado que já vai ficando distante. Era uma outra época, com outras cores e atmosfera distinta. E mais peculiar ainda é pensar na diferença do que sabia eu criança na última vez em que a vi, e o que sei hoje, adulto ao lembrar da sua imagem. Muitos a chamavam Maria-dos-Cachorros, outros de Velha-do-Cobertor, e ainda outras alcunhas menos frequentes. Mas quem era aquela pobre alma?

Andava pelas ruas, maltrapilha. Atrás de si, uma matilha de cães de rua a acompanhar. Roupas sempre em trapos, invariavelmente cinzentas. Um cobertor também cinza na cabeça, que em minha infância de garoto católico, me sugeria em sua imagem uma versão sem-teto de Nossa Senhora. Se fosse nos dias de hoje, facilmente poderia chamá-la de “Virgem Maria de Tim Burton” ou algo que o valha. Já sua comitiva de cães variava em número de época pra época, de três ou quatro até uns dez, onze. Ninguém sabia seu nome, nem local de nascimento, nem de que família poderia ter vindo. As histórias que se contavam a seu respeito eram tão fantasiosas quanto dignas de pouco crédito. De concreto mesmo, apenas sua perturbação mental, que não era lá das piores, visto que não era pessoa violenta, nem tampouco dada a alterações ou rompantes. Quando era deixada em paz, aparentava estar sempre com um jeito contente na companhia de seus amigos de quatro patas.

Quem a observasse um pouco mais percebia que naquela cidade, de forte imigração alemã, era bem provável ser essa sua origem familiar. Era alta, apesar de talvez pela natureza de sua condição, talvez pela dureza de sua vida de moradora de rua, andar com postura bastante curvada. Ou quem sabe fosse o costume adquirido de tanto se curvar para brincar com seus eternos companheiros? Seu rosto, além de bastante marcado pela vida dura, ainda trazia aqueles traços brutos e muitas vezes angulosos comuns a muitas famílias de camponeses pobres que chegaram por lá vindos da Europa no século anterior. Andava sempre de cabeça raspada, coisa que alguém providenciava que fosse feito de tempos em tempos, talvez num abrigo da prefeitura ou em alguma instituição de caridade por onde passasse atrás de comida. Provavelmente sofreria com piolhos caso não raspasse. Falava muito pouco, e articulava mal as palavras. Com certa pena lembro-me de ter ouvido sua voz com mais frequência ao responder com xingamentos às brincadeiras que alguns garotos lhe dirigiam, do que nas raras vezes em que passava perto e a percebi conversando amorosamente e de modo tão familiar com algum de seus amigos caninos.

Já li em algum lugar que as divindades que o homem cultuou no passado, à medida que perdem fiéis entre os povos que creem nelas, perdem também seu poder. Acabam se tornando sombras do que foram no passado. E hoje, ao lembrar da pobre mulher dos cachorros, não tive como escapar da lembrança da deusa grega Hécate. A deusa que enviava aos homens os terrores noturnos, as aparições de espectros e fantasmas. Também era venerada como regente de caminhos ocultos e tida como filha da escuridão da noite, por onde andava com sua própria matilha de espíritos caninos. Regia as encruzilhadas, invisível aos olhos dos homens. Nas suas andanças por nosso mundo, assim como a dona dos cachorros em minha infância, passava incógnita entre os senhores de bem. Apenas os cachorros a enxergavam. Contam as tradições que nas noites de lua nova, enquanto passava, os cães latiam para prestar-lhe respeito e saudação.

Depois de tanto tempo de passada a época em que tinha seguidores e crentes, Hécate não teria terminado seus dias como uma pobre moradora de rua, meio louca, mas incondicionalmente protegida, amparada e acompanhada por seus amigos de quatro patas? Afinal, depois de cerca de vinte e cinco séculos, foram eles os únicos fiéis que provaram ser continuamente dignos de seus carinhos . Não é à toa que duas coisas me parecem muito claras hoje em dia, mesmo após tanto tempo ter passado, e eu ser apenas uma criança na época. Uma é como os panos cinzentos, o cobertor na cabeça inclusive, estranhamente combinavam com sua mal ajambrada figura. E outra, por mais que ela fosse considerada uma louca ou deficiente mental, ao conversar com seus únicos amigos, exibia uma serenidade e firmeza na voz que eram inexistentes quando se dirigia a algum de nós, simples mortais. Quem sabe não é assim que terminem as divindades esquecidas... Vagando por aí sem poder e sem glória, mas ainda assim envoltos em mistério.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Tribal falando do Primitivo

Hoje estava eu a caminho do trabalho, passei pelo famoso e ao mesmo tempo famigerado mercadão da Uruguaiana. Volta e meia eu passo por ali dependendo do transporte que eu pegue para ir pro trabalho, acaba sendo um caminho costumeiro.

Me chamou atenção um fato. Dia desses num fórum onde participo apareceu uma discussão meio filosófica a respeito de religião, e coisas associadas. Em certo ponto do debate, alguém utilizou para defender uma corrente protestante que seguia um exemplo onde afirmava que religiões afro-brasileiras são tratadas como "manifestações culturais" enquanto que os protestantes de sua denominação são execrados pelos seus cultos. A pessoa insistia no teor, digamos tribal das religiões afro-brasileiras, na questão do sacrifício de animais, na magia negra e sugeria até a questão de morte de pessoas em rituais. A questão seguiu adiante no tópico do fórum, mas algo que vi a caminho do serviço hoje me fez voltar a pensar no assunto.

Em uma daquelas barracas de crenteware do mercadão, uma TV de LCD instalada de frente pra rua passava um DVD. Digo que fiquei tão espantado com o que vi, que não me lembrei de procurar saber o nome da cantora, ou pastora, ou seja lá qual fosse a função da moça do vídeo. O clipe que assisti retratava um momento em um show em que o auge da coisa acontecia, o que eu conheço lá dos primórdios da minha educação religiosa como talvez "receber o espírito santo", ou qualquer que seja o nome que eles dêem a isso em sua seita. Mas não foi esse o ponto que chamou minha atenção. A forma com que isso acontecia, e a forma como a moça se comportava, como conduzia a cerimônia e colocava a voz, era tão semelhante a uma possessão, a um ritual primitivo, que se suprimissem os termos específicos da religião, aquilo poderia ser interpretado da mesma forma que uma possessão em uma religião afro-brasileira, ou qualquer outra forma de transe tribal de religiões consideradas pagãs ou primitivas.

Me causou espanto o paradoxo de que, alguns religiosos se achem mais certos que outros, façam uma campanha incessante para difamar uma outra religião, dediquem tempo em cultos e programas de tv para tentar arrebanhar fiéis advindos de outras igrejas, mas ironicamente tenham práticas e ritos tão semelhantes. Digamos que tive meu momento de pensar "Dancem macacos, Dancem"

sábado, 14 de agosto de 2010

O nome dela é Caro... Caro Emerald.

Hoje eu vim falar de mais uma feliz novidade que eu encontro através das rádios online. Depois que Amy Winehouse apareceu, comecei a prestar mais atenção em cantoras desse estilo que iam aparecendo, mas por conta de uma diferença de estilo aqui, de uma voz mais comunzinha ali, ou de uma roupagem pop demais acolá, nem todas as candidatas a "Nova Amy" realmente me animaram.

Tiro aí como exceções a Duffy porque realmente tem swing, tem uma voz diferenciada e um jeito igualmente diferenciado de cantar, não tentando ser "outra Amy". Confesso que contribuiu e muito para que eu gostasse dela a beleza loira não-óbvia, e a excelente interpretação que ela fez pra "Cry to Me" de Solomon Burke. Me ganhou definitivamente nessa. Mas o CD de estréia dela não é nem tão bom assim... Tira-se lá umas 3 ou 4 faixas dignas de nota, e pronto. Mas fico de olho, porque potencial a moça tem.

Tem também a ítalo-australiana Gabriella Cilmi, que apesar de estar aparentemente guinando para a vida fácil do pop, ainda conta com minha admiração por ter uma bela voz, uma presença interessantíssima e não-óbvia, e um CD de estréia com boas músicas. Ainda tem bastante munição pra queimar, só espero que ela dê os passos certos na carreira. Se cair de vez no pop, será uma pena.

Mas...eu vim mesmo pra falar de outra moça. O nome dela é Caro Emerald, nome artístico de Caroline Esmeralda van der Leeuw, holandesa de Amsterdam, cantora profissional, professora de canto, formada em jazz pelo Conservatório de Música de Amsterdam. Em suma, a moça SABE cantar. E não para por aí, a moça é realmente especial. Tem presença,tem voz,tem técnica e não é uma dessas modelos que vagabundo faz cantar. Ela é fora do padrão. Talvez por isso eu ainda a ache mais bonita e mais interessante que a mesmice de cantoras que são lançadas no mercado atualmente. Ela foge do óbvio.

E a fusão de retrô com moderno que ela coloca em suas músicas? O tempero 40's semelhante ao que as Puppini Sisters usam em suas músicas está lá, mas com uma fusão mais esperta e moderna com as batidas atuas, em algumas vezes até consumível em uma pista de dança, ou no mínimo um lounge bem feito. A banda que a acompanha também é digna de nota, instrumentistas de primeira, afinados, do tipo que parece tocar com divertido prazer. Nesse ponto, a produção acertou em cheio no mesmo alvo que Mark Ronson já tinha acertado com a quase-morta Amy. Bom, chega de papo... vou deixar um vídeo da Caro aqui... quem gostar, pesquise mais porque vale. Caro Emerald, esse é o nome.

sábado, 10 de julho de 2010

Logo da Copa, Chico Xavier, Designers Magoados e outras coisas...

Sempre que acontece uma escolha ou mudança de logomarca para um grande evento ou grande empresa aqui no Brasil, o falatório acontece. Os motivos variam, às vezes são justos, às vezes não, as reclamações variam, às vezes são bem fundamentadas, outras são pura implicância, mas em comum a todas essas situações, é o falatório, que sempre acompanha o lançamento dessas marcas.

Aconteceu com a marca dos 500 anos do Brasil...




Aconteceu com a famigerada mudança de nome da Petrobras para PetrobraX, quem lembra? Se bem que nesse caso o buraco foi muito mais embaixo e muito mais além do que o mérito da logo ser boa ou não, mas ainda assim vale menção:




Aconteceu com as logos propostas para as candidaturas às olimpíadas, e ao Pan-Americano...






Em alguns casos, é jogado na lama o nome do autor da marca escolhida, por não ser talvez um profissional de renome no mercado. Em outros casos, é até um profissional de renome no mercado, mas é fruto de algum escritório de arquitetura ou alguém considerado um "não-designer". Acaba o produto final sendo alvo de toda uma torrente de reclamações que vão de críticas justas e bem fundamentadas da parte de alguns profissionais, a um interminável e sentimental mimimi de outros.
Em outros casos, há uma patente falta de comprometimento com a qualidade do produto final, como no caso (amplamente discutido à época) da marca da Nova CEDAE... que nem criada por profissionais da área foi.


Na maioria desses casos, o que determina mesmo como tudo acontece é a politicagem que está por trás de todos esses eventos. Por mais bem organizado que seja o evento, qualquer uma dessas escolhas polêmicas esbarrou em política pura em algum momento, talvez por isso realmente a discussão se torne irrelevante no fim. Se ficou bom, se ficou ruim, não importa mesmo, porque as forças ocultas que decidem isso estão além da nossa esfera. Além até mesmo da esfera de qualquer organização que represente as classes profissionais que normalmente são escolhidas para tomar a frente desse tipo de projeto de criação.

Em tempo, quanto à logo em questão, a da copa de 2014, já vi melhores, e já vi piores. Pessoalmente não gostei muito. Mas pra CBF, pra Ricardo Teixeira, sendo escolhida por um júri de "personalidades do meio artístico" até que poderia ser pior.


Se alguém quiser saber o porquê do Chico Xavier mais lá em cima... Bom... aí vai. Tirem suas próprias conclusões...


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Hoje eu vou mudar... Pensando bem, se fosse fácil assim!!!


 Quando eu soube que ia ter que me mudar, procurei encarar o processo da mesma forma que outras situações-limite que tive no passado. Nessas horas, sou agradecido por ter conseguido aprender a misturar duas coisas aparentemente incompatíveis... Uma racionalidade natural bem focada, que me impede de perder tempo com divagações e coisas que não vão ajudar a completar meu objetivo, e uma capacidade forte (essa aprendida) de acreditar na sorte, na boa estrela, nas boas vibrações.

Munido dessa mistura de "vamos direto ao ponto" com "tenho certeza que vai dar certo no fim", lá fui eu procurar uma nova sede pro Cafofo do Osama. A sorte começou a agir logo aí, porque a coisa foi difícil. Precisei de toda essa determinação e mais um pouco até. Passei o mês todo procurando, mas já sabia da dificuldade que era encontrar um lugar pra morar por um preço razoável numa cidade com um dos mercados imobiliários mais mafiosos do país.

No meu bairro eu já sabia que seria praticamente impossível encontrar, pois o imóvel em que residia estava com o valor do aluguel bastante defasado. Em 10 anos morando no mesmo prédio, o valor dos aluguéis e dos próprios imóveis no bairro sofreu um aumento especulativo muito grande, sem que o Bairro tenha recebido qualquer incremento que justificasse tanto aumento. Os arranjos entre a prefeitura e as imobiliárias, a indiscriminada construção de prédios cada vez mais altos, enfim... Se eu quisesse continuar morando por perto iria ter que pagar entre 50% e 100% a mais para morar em um apartamento com características semelhantes ao atual. Nem preciso dizer que não rola, certo?

Mesmo assim, na procura, tentei achar alguma coisa no bairro, corri alguns prédios antigos e de poucos andares, semelhantes ao meu, onde a probabilidade de encontrar algum imóvel parecido seria maior. Imprimi alguns cartões com meus contatos, do tipo "procuro imóvel" e deixei em quadros de avisos de vários prédios. Fiz o mesmo através de um website de anúncios gratuitos. E paralelamente, contatei todo mundo que conhecia que pudesse conhecer alguém de imobiliárias, que pudesse indicar alguma inside information, enfim... networking total mesmo. Espalhei a notícia que estava procurando. Uma tia minha que também mora em Niterói foi gentilíssima em ver com o pessoal que ela conhece, no prédio dela que é bem grande, enfim... Munido dessas armas, achei que não iria demorar muito a aparecer alguma coisa.

Achei. Mas demorou. O mês de maio foi passando, e poucas coisas apareceram. Fui ver alguns poucos imóveis, sendo que nenhum deles agradou. Mas continuei o networking, continuei com o processo de toda quarta e todo domingo comprar o jornal, pois são os dias de maior quantidade de classificados de imóveis.

Eu ainda não sabia, mas esse ritmo relativamente lento e (digamos "inocente") de procura, correu por todo o mês de junho também. Até que no fim de junho, recomeçaram as pressões por parte dos proprietários do apartamento. Eu precisava acelerar o processo, mas não queria abrir mão de certos parâmetros na minha procura. O suspense aumentava. Teria eu que sair com as coisas "na cabeça"? Teria eu que ir pra qualquer armazém até encontrar algum lugar melhor? Teria eu que desistir de morar em Niterói e voltar pra Petrópolis de maneira emergencial? Nuvens negras aparecendo no horizonte, e o stress se acumulando.

 Continua mais pra frente.

domingo, 27 de junho de 2010

Vicky Cristina Barcelona


Não sou fã de carteirinha do Woody Allen, visto que alguns filmes dele eu acabo gostando, de outros eu simplesmente não consigo gostar. Fiquei contente em constatar que esse é um dos do primeiro grupo.

Usando e abusando dos cenários espanhóis como plano de fundo, ele conseguiu trazer um charme a mais para uma história que consegue fugir um pouco do comum. Não deixa de ser um filme dentro do estilo "idas e vindas e confusões de relacionamento" já típicos de Allen, mas alguns ingredientes deram um tempero de novidade à velha fórmula. A ambientção espanhola, a presença dos ótimos Javier Bardem e Penélope Cruz, e a dinâmica das interações entre os personagens, que no roteiro ficam críveis e menos neuróticos (mesmo nos momentos de maior neurose) que o normal dos filmes mais emblemáticos do diretor.

A escolha das belas atrizes Rebecca Hall e Scarlett Johansson, respectivamente como Vicky e Cristina, também trouxe um ponto de qualidade ao filme. Ambas perfeitamente bem nos papéis, Rebecca como a aparentemente segura de si Vicky que tem suas certezas abaladas por uma paixão repentina, e Scarlett, iluminando a tela como sempre, no papel de uma eternamente insatisfeita Cristina, que mesmo diante do que poderia ser um amor para toda vida, acaba escolhendo a dúvida. Javier Bardem e Penélope Cruz completam o quarteto principal, como um ex-casal passional, que devido a intensas tempestades emocionais não consegue ficar junto nem tampouco deixar de se amar loucamente, mesmo após uma conturbada separação.

A chegada das americanas na vida desse ex-casal mostra que como quase tudo na vida, estamos a um passo sempre da perdição ou do paraiso, depende apenas do lado pra onde esse passo é dado. Misturado tudo isso, Woody Allen cozinhou uma bela Paella em forma de filme, que permite variadas leituras e nos brinda com boas performances, belas imagens e praticamente pede um vinho para ser melhor apreciado.

sábado, 12 de junho de 2010

Hachiko - Sempre a Seu Lado



Sempre fui meio avesso a filmes onde o foco é em animais. Me lembro bem de ter gostado de "O Corcel Negro" na infância. E num período ainda mais distante (velhice detected) fui fã da Lassie (lógico, em uma de suas reprises televisivas tardias) a ponto de querer ter um collie de qualquer maneira. Mas ainda assim, a enxurrada de filmes de Digbys, Benjis, e outros genéricos por todos os 80's minaram totalmente a minha paciência pra esse tipo de esforço cinematográfico.

Eis que passado muito tempo, tendo evitado bravamente vários filmes de 4 patas, até mesmo o tão falado e popular "Marley e Eu", acabei vendo um filme "de bicho". No caso esse "Hachiko". E não é que o filme foi bonzinho? Uma história simples, inspirada num fato real, onde a direção teve a esperta sacada de conduzir a trama através do cachorro, mas não deixar toda a responsabilidade de contar a história nos ombros dele, e colocando atores convincentes nos papéis de coadjuvantes ao canino.

Contando com um Richard Gere bastante correto no papel principal (humano, porque o ator principal do filme é o cachorro, mesmo), fazendo o papel de um professor de música que encontra o cachorro-título do fílme perdido na estação onde pega o trem que o leva e traz todos os dias do trabalho. Ele tenta devolver o filhote, que se extraviou da encomenda da qual fazia parte. Mas como ninguém tem idéia de onde veio nem para quem devesse ser entregue, acaba tomando conta da pequena e simpaticíssima bola de pelo... E como é normal nesses casos (até mesmo na vida real), o que era provisório acaba ficando definitivo.

Um bom filme, nada muito novo, mas uma bonita porém triste história. Aos que são de chorar em filmes, recomendo lenços à mão.

sábado, 29 de maio de 2010

Desencanto de Fadas



Houve uma vez um reino, um cavaleiro e uma dama.
Ambos se envolveram, enredados, na mesma trama.
Formou-se em torno de ambos, o laço formal
Mas errou quem porventura pensou que seria normal.

Naquele reino, o cavaleiro era pela lei.
Enquanto a dama, sinceramente, nem eu sei.
Talvez só por ela, só pelo que achava que era.
Só assim pra explicar a transformação em megera.

Na ciranda de fábula, no faz de conta invertido,
Começou com final feliz, e terminou com gemidos
O que era belo virou retalhos, o cristal virou vidro
Estourou em mil cacos, refletindo um olhar iludido.

Escreveu-se uma história, em folhas de mágoa
Ainda molhadas, de chuva e de lágrima,
Escreveu-se com carvão, e cinzas de uma paixão
Que nada mais foi que engano, veneno, ilusão

Teve por coadjuvantes, o engano, o erro, a loucura
O desequilíbrio, a desventura, e a realidade dura.
Havia uma esperança, um talvez, um quem sabe.
Um ilusório esperar, de um amor que não acabe.

Mas o amor, em sua forma leve e bela, não veio.
Vieram noites ruins, com maus sonhos no meio.
E a partir de certos momentos, ruim despertar
Até a realidade veio o preço da ilusão cobrar.

Perderam-se chances, perderam-se histórias.
Perdeu-se espaço nas bibliotecas da memória
Para guardar provas e documentar enganos
Proteger o reino de comportamentos insanos.

E hoje, olhando pra trás, vê-se que era cegueira.
Olhos estavam abertos, mas incapazes de ver à beira.
Coração-maçã envenenada, vazando sentimento vil.
E movido por tal motor, pronto a qualquer ardil

E ainda hoje, na floresta que ao reino se avizinha,
As mães não permitem que criança passeie sozinha
“Pois lá mora a Bruxa do Sentimento Errado
À procura de um cavaleiro, pra ser amaldiçoado”

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mário Quintana era Foda!

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...
Mário Quintana

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Hoje eu vou mudar, vasculhar minhas gavetas...


Uma nova era começa, depois de 10 anos no mesmo prédio, o Cafofo do Osama vai mudar de lugar. Me recuso a encarar a coisa com o apego que seria normal para a situação, por dois motivos: primeiro, a urgência do pedido do proprietário que justificadamente necessita do imóvel de uma forma mais urgente do que nesse tempo todo em que passei ali. E segundo, porque já há muito tempo eu sabia da necessidade de, e do destino que essa mudança encerrava em si.

Depois do anúncio do fato, me veio primeiro uma certa euforia, causada pela recusa em aceitar a mudança como algo ruim. Logo após, no dia seguinte, a inevitável sensação de desânimo total, não necessariamente pela situação em sim, mas uma antecipação brutal de toda a encheção de saco que é um processo de mudança de casa. Vai ser a oitava vez na minha vida, mas a primeira em que terei que comandar o espetáculo totalmente sozinho.

Não deixando de lembrar o fato de que o período financeiro atual é talvez um dos mais comprometidos e contados que já passei. Não que diante do meu histórico pregresso isso seja lá grande novidade, mas como diz aquela frase que eu tanto gosto: "Com grana é fácil. Eu queria ver tirar essa onda duro, meu camarada".

É por aí. Vamos que vamos! Só não sei pra onde ainda. Quando souber, eu aviso.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Destino e Eu


Hoje cedo, meu corpo todo doeu
Percebi que esse destino que vivo,
Esse destino atrevido,
Não é como eu pensava, meu.
Hoje meu corpo um pouco envelheceu

Um bem-te-vi pousado
Na antena do prédio ao lado do meu
Logo após eu ter acordado,
Com seu piado arrogante me recebeu
E pensei, onde minha vida se escondeu?

Olhei para trás, anos se perdendo no breu,
À medida que afasto-me do brilho
Da esperança que um dia me pertenceu
Porque não me sinto como me sentia?
Quando foi que me tornei tão ateu?

Hoje minha mente é veloz, e já percebeu
Que o mundo gira em uníssono lento
Gira num tom de lamento, e eu
Parado um dia no poleiro dos pombos,
Olhei para o céu e ele não respondeu.

Quem sou eu? Quem sou eu?
Só vieram os ecos, os sons dobrados
Uma tempestade de raios rasgados
E a chuva que me acolheu
Esse era eu...

O que sobrou de anos passados
De histórias vividas e futuros errados
Possibilidades perdidas e trens atrasados
Esse era eu...

Procurei tomar pé do que eu era agora,
Antes que o tempo rápido me levasse embora,
Mas não queria mais ver no que me tornei
Pois sentia tanta falta do que esperei...
Que chorei.
Chorei no silêncio do meu coração
Minhas lágrimas não viram luz nem escuridão
Só a minha alma as lágrimas provou
E só o destino meu pranto escutou.
Então eu...
Voltei a vestir minhas armas de guerra
Cansei de ficar nessa amarga espera
E fui procurar algo que mais fazer
Pra não ter que pensar, pra não ter que sofrer.

E sigo vivendo, de mal com o destino
Cruzando às vezes com o meu eu menino
E fazendo de conta que não o vejo
Esquecendo que em mim ainda arde o desejo
De fazer o destino comigo encontrar
Dar-lhe uns tapas na cara e vir me escutar
Contar para ele coisas que aprendi, enfim
E vê-lo se render, e sorrir para mim

Odemilson Louzada Junior
Publicado no Recanto das Letras em 20/04/2010

Dan the Man by studioJOHO



A vida, o dinheiro e o casamento através da visão de um personagem de videogame...

domingo, 18 de abril de 2010

Cibelle - Green Grass



Dirigido por Gus Guimarães e Adams Carvalho, este belo clipe da cantora Cibelle. A canção é uma composição de Tom Waits, e faz parte do álbum "The Shine of Dried Electric Leaves" de Cibelle. O clipe foi filmado, editado e depois, foi feito o desenho sobre cada frame.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Polêmica das Pulseiras Coloridas


Foi meio que o assuntinho da semana passada, o tal caso da menina com as pulseiras. Acho que um grande absurdo reside no fato de as tais pulseiras estarem sendo colocadas no centro da questão. É um caso em que fica claro tratar-se de um crime comum, onde as pulseiras foram apenas um detalhe, ou talvez até uma desculpa lateral para tentar explicar um delito. É quase como dizer que uma moça nos 60's morreu ou foi estuprada por estar usando um biquini ou uma mini-saia. Ou culpar-se os Fluffs e mini-garrafinhas de coca-cola dos 80's por algum tipo de delito.

Manias de adolescente existem desde o tempo dos bambolês, não é por aí que a banda toca. Agora, se está causando tanto escândalo da cabeça das pessoas uma simples mania adolescente, devia-se então olhar nas periferias o quanto de meninas de 13, 12, 11 anos já estão (e isso desde o meio-final dos 90's) tendo uma vida sexual precoce*, ativa, irresponsável e gerando filhos como resultado da conta. Só que aí não é a família só, mas sociedade como um todo quem paga.

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* E sem precisar de pulseirinha alguma...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sobre a Chuva no RJ...

Foto de Jadson Marques/AE
 Aqui o melhor álbum de fotos do temporal que vi até agora.

Eu morava em Petrópolis na época das enchentes catastróficas de 1982 e 1988. Muitos lembram o quanto de gente morreu, principalmente na de 1988. Após aquela época, por bem ou por mal várias obras foram implementadas na cidade. Em parte para consertar os estragos que foram muitos à época, mas em parte também para preparar a cidade para aguentar o tranco no caso de chuvas voltarem a castigar a região novamente. Por bem ou por mal, verbas desviadas aqui, demoras acolá, entre mortos e feridos (no sentido figurado, mas infelizmente no próprio também) conseguiu-se concluir obras que deram uma melhoria sensível à capacidade do município de suportar as chuvas, que lá na serra são bem mais frequentes e duradouras que na região metropolitana do RJ.

Hoje em dia, mesmo tendo aumentado as ocupações desordenadas, e o crescimento da população que mora nas encostas por lá (na verdade Petrópolis é quase toda encostas), ainda são menores as consequências de uma chuva torrencial do que as que foram na época. Mas há que se cuidar dessas ocupações irregulares, pois é uma questão de tempo até que as medidas preventivas se tornem ineficazes frente ao aumento da população que vive em locais impróprios.

Já no Rio de Janeiro a coisa muda de figura. Como a cidade raramente tinha chuvas duradouras, o que sempre imperou por aqui era a política do "deixa como está para ver como é que fica". No RJ qualquer meia hora de chuva já era suficiente para causar um nó na cidade. Essa situação de ontem pra hoje era uma questão de tempo (e despreparo), apenas. Eis que cai a chuva mais longa em 44 anos na cidade. E por mais fatalidade que seja, tudo que estamos vendo é como se comporta uma cidade que não aguenta 2 horas de chuva, que dirá 24 horas.

Agora, ano de eleição... vem aí as falácias, as desculpas e as histórias pra boi dormir. Espero que a chuva pare o mais rápido possível, pois a chuva uma hora passa... já a cara de pau desse tipo de político parece ser eterna...

sábado, 27 de março de 2010

Trova do Cotovelo



" Na curva do meu temor,
Onde capotou meu zelo
Perdeu-se meu grande amor...
Ah, que dor de cotovelo!"

Pietá


Uma releitura da Pietá, tendo a Princesa Peach no papel de Nossa Senhora, e Mario no papel de JC... Confesso que tenho uma certa mania por releituras ou reinterpretações de obras onde se colocam personagens conhecidos em papéis diferentes, ou no lugar de ícones seja históricos, seja religiosos... Na maioria das vezes o resultado quando não é polêmico, é pelo menos interessante.

quinta-feira, 25 de março de 2010

BaTATA quente...


Segundo o site onde vi essa notícia, tem se tornado mais frequente o Tata pegar fogo. Não é pra torcer contra, eu até acho interessante a idéia de existir um automóvel com baixo custo, mas que dá uma certa cara de "o barato sai caro" pra coisa toda, dá.